A SAÚDE DOS MOTORISTAS DE COLETIVOS


No Brasil percebe-se que o trabalho dos motoristas profissionais são rotineiros e infelizmente apresentam condições de trabalho bastante inadequadas, com jornadas excessivas de trabalho, ocasionando em muitas noites maldormidas e consequentemente desencadeando distúrbios de sono. Apresentam também hábitos alimentares inadequados, e estão expostos à violência urbana.
Motoristas de transporte coletivo sofrem pressões em demasia
Com isso, se observa que dos profissionais que trabalham no trânsito, os motoristas de transporte coletivos são um dos que mais sofrem pressões, afinal trabalham com uma rotina de deslocamento contínuo de diferentes e inúmeros tipos de pessoas e atuam em um amplo ambiente de trabalho que é o trânsito, através de um pequeno local de trabalho, que é o ônibus. Estes profissionais estão sujeitos a sofrerem constantemente diferentes variáveis, onde estão expostos a fatores que podem interferir no rendimento de trabalho e principalmente na saúde. Por estas características de campo de trabalho, podemos dizer que os motoristas de ônibus são os profissionais que mais sofrem pressões do ambiente viário.
O motorista profissional ligado ao setor transporte está sujeito a elevado número de riscos no trabalho, que o tornam mais exposto à ocorrência de acidentes do trabalho. Os trabalhadores dessa categoria exercem sua atividade profissional no espaço da rua, sujeitos à violência, aos problemas urbanos e aos riscos intrínsecos de seu processo de trabalho.
Com a urbanização e o crescimento das cidades, a população em geral necessita cada vez mais do transporte coletivo para se deslocar e satisfazer suas necessidades básicas de trabalho, estudo, saúde e lazer. E desta forma torna-se mais importante conhecer a realidade do trabalho dos motoristas de ônibus, já que as condições de saúde e bem estar destes profissionais poderão afetar a vida daqueles que dependem dos ônibus para se deslocarem nas cidades.
Cada vez mais o transporte coletivo necessita de atenção
Os inúmeros fatores de pressão existentes no cotidiano do trabalho dos motoristas podem contribuir para uma maior incidência de comportamentos inadequados no trânsito e consequentemente um alto nível de acidentes, além de causar prejuízos à saúde dos motoristas.
O impacto proveniente das condições de trabalho obtém um reflexo na vida dos trabalhadores, em seu convívio com a sociedade e na empresa onde trabalha.
Com isso não podemos apontar diretamente as condições de trabalho como causa do surgimento de distúrbios na saúde dos trabalhadores, afinal são muitos os componentes sociais e psicobiológicos, existentes que podem interferir também neste processo. Também podemos destacar entre os principais impactos das condições de trabalho penosas, o aumento do  absenteísmo, da rotatividade e dos conflitos.
Dejours (1992) aponta que pode acontecer que um trabalhador, isoladamente, não consiga manter os ritmos de trabalho ou manter seu equilíbrio mental. Forçosamente, a saída será individual. Duas soluções lhe são possíveis: a saída do emprego ou faltas contínuas.
A violência também interfere na saúde dos motoristas
As condições de trabalho dos motoristas têm uma grande relevância social e política, pois as condições penosas refletirão no tratamento rude aos passageiros, na direção agressiva e na depreciação do instrumento de trabalho. Estas práticas diminuem a qualidade e aumentam o custo deste serviço (SOUSA, 2005).
Estudos citados na literatura demonstram os agravos e as consequências à saúde dos motoristas, comprometendo seu desempenho laboral. Constata-se que esforços físicos e mentais causam problemas de postura, hérnias, fraturas, torções, contusões, lombalgias.
A aluna Samyra Macário Ignácio da Faculdade Redentor de Três Rios, no estado do Rio de Janeiro, que realizou esta pesquisa destaca que ela permitiu uma melhor compreensão das condições de transporte coletivo, da saúde do motorista. Verificou também a importância de se criarem estratégias de produção de saúde deste trabalhador para promover o equilíbrio entre o emocional e cognitivo, bem como intervenções associados ao desgaste físico. Para tal, as intervenções devem assentar na idéia de que o ambiente que o rodeia, coloca-os em situação de desvantagem, que acaba por influenciar nos níveis de fadiga e estresse destes profissionais.
Os exames médicos periódicos são fundamentais
Assim, a pesquisa sinaliza a necessidade de novos estudos aprofundados que contribuam com esta, possibilitando um melhor esclarecimento acerca de estratégias de produção de saúde, já que os dados da literatura a respeito têm energizado as mudanças sociais e econômicas que afetam diretamente o processo de trabalho deste profissional e sua satisfação profissional. Sendo este estudo, apenas o início de muitos outros, cuja finalidade maior é colaborar academicamente para a evolução da área e consequentemente, para valorização da vida humana.
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