SEGURANÇA NO TRÂNSITO

A Organização Mundial da Saúde, em seu relatório Mundial sobre prevenção de acidentes no trânsito (OMS,2005), mostra que os acidentes de trânsito no período de um ano mataram um milhão e duzentas mil pessoas no mundo, deixando 50 milhões de feridos, cujos cuidados médicos geraram um custo de 65 bilhões de dólares. Os acidentes de trânsito são a segunda causa de morte de jovens até 29 anos e a terceira causa entre pessoas de 30 a 44 anos de idade, sendo que até o ano de 2020, esta situação deve se agravar em países de baixa renda.
Neste artigo quero analisar com o leitor o que acontece em nosso corpo em uma colisão, usando e aplicando conceitos da Física para uma melhor compreensão. Vamos às conclusões:
Um automóvel de 800 kg e que se desloca a 100 km/h está desenvolvendo 28m/s considerando a energia cinética, podemos afirmar que a energia produzida é em torno de 32 toneladas caindo de uma altura de um metro. Como resistir a um impacto desses? Por mais equipamentos de segurança que nossos carros disponham, fica evidente que sobreviver numa situação destas é muito difícil. E, se ao invés de 800 kg nosso veículo tiver 1600 kg que diferença isso fará? A energia será de 64 toneladas. Entretanto, se dobrarmos a velocidade iremos quadruplicar a energia, ficando assim evidente que, mais importante do que a massa do veículo, o fator mais preponderante no desfecho é a velocidade empregada. E o que acontece com os ocupantes de um veículo numa colisão? A 100 km/h um corpo com 70 kg passa a pesar 1.960 kg. Um motociclista que estiver com a viseira do capacete aberta e colidir com um besouro receberá um impacto de 800 gramas, equivalente ao peso de “uma tijolada”. A mesma regra deve ser aplicada aos nossos órgãos internos: fígado, rins, baço, coração, que sofrem as consequências desta desaceleração sofrendo rupturas, arrancamentos, deslocamentos… Um impacto a 50 km/h corresponde a uma queda livre de 10m de altura; um impacto a 75 km/h a uma queda de 22 m de altura; a 100 km/h o impacto é de 40 m de altura em queda livre.
Após analisarmos as leis da Física que estão matando e mutilando no trânsito, lanço uma pergunta ao leitor: até onde queremos chegar para começarmos a agir contra este flagelo? Quantos familiares ainda teremos de sepultar para entender que nosso carro, moto, bicicleta e até mesmo nosso corpo tem seus limites e quando estes são ultrapassados sempre haverá alguma consequência indesejada? Os desastres não acontecem somente aos outros, se não diminuirmos nosso ritmo frenético e consecutivamente a velocidade de nossos carros, dificilmente iremos mudar o panorama das estatísticas.
Laércio Ari Kerber – Enfermeiro e Professor do Curso Técnico de Enfermagem  
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